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Força do Agronegócio: nova geração do trabalho no campo no ES aposta no estudo para ter sucesso

Por G1 ES

O trabalho no campo já vive uma nova geração, mais antenada, com mais conhecimentos, principalmente em empreendedorismo e sustentabilidade: o futuro do agronegócio passa pela sala de aula.

O técnico agrícola Leomar Poton é ex-aluno da Escola Agrícola de Olivânia, em Anchieta, no Sul do Espírito Santo, a primeira da América Latina. Antes, ele tinha o sonho de viver na “cidade grande”, mas isso mudou.

“Logo no início, o meio rural não era fácil, hoje graças a Deus melhorou um pouco. Mas aí a gente pensava em estudar na cidade e tentar arrumar um emprego pra lá”, disse.

Ele foi para a escola agrícola porque era mais próximo de casa, mas acabou se aproximando da também técnica agrícola Luciana Riciere Poton, vizinha e colega de escola, mas hoje sua esposa.

Mas não foi só o casamento que fez com que o casal continuasse no campo, o projeto profissional de conclusão de curso foi um rascunho do que seria o futuro deles: uma fábrica de polpa.

“Eu saí já com direcionamento. Eu fiz meu projeto agrícola com apoio da escola, com as técnicas da escola, com apoio da minha família”, destacou Luciana. Sete pessoas trabalham na fábrica, sendo cinco da família deles e dois funcionários.

Luciana frisou que o que aprendeu em sala de aula foi fundamental na implantação da fábrica. Nos últimos 50 anos, o modelo das escolas agrícolas se multiplicou pelo país e essas instituições formaram mais de 50 mil jovens no meio rural.

No Espírito Santo são 68 escolas, que se mantém graças à ajuda dos próprios pais de alunos e de um convênio com o governo do estado. Dezoito são ligadas ao Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo (MEPES).

A escola agr​í​cola ensina as matérias tradicionais e disciplinas relacionadas ao agronegócio, aplicando a pedagogia da alternância. Os alunos passam uma semana na escola, em horário integral. Alguns até dormem no local. Na semana seguinte, ficam em casa e colocam em prática o que aprenderam. É uma forma de envolver a família no processo de aprendizagem.

“A pedago​g​ia de alternância possibilita desenvolver o conhecimento, a construção do conhecimento a partir da realidade concreta do jovem, das suas famílias”, explicou o superintendente do MEPES, Idalgizo José Monequi.

A escola família agrícola de Anchieta foi fundada no final dos anos 1960. Nessa época, a maioria dos jovens deixava o campo e sonhava com a vida nas cidades.

“Quando a escola surgiu, em 69, a gente estava num período em que o campo estava sendo abandonado. Existia uma grande corrente do êxodo rural, todos os jovens estavam indo para a cidade. Então foi através desse diagnóstico que surgiu a escola, para que a escola viesse, desse formação para os filhos dos agricultores”, explicou o diretor Marcos Bissa.

O psicultor Fábio Catane também foi aluno da escola agrícola de Olivânia. “A escola, na verdade, me ensinou a pescar, ela não me deu o peixe. Então ela abriu uma porta, porque quando eu vinha pra cá, eu estudava, só que tinha um período de prática. Então o que eu aprendi em sala de aula, na semana que eu estava em casa, eu falava: pai, na escola eu aprendi desse jeito, vamos fazer assim que é melhor. E meu pai tem uma mente aberta. Ele deixou eu implantar na propriedade o que aprendi aqui”, contou.

Ele sempre trabalhou com o pai na agricultura e quando saiu da escola, quis montar um negócio que envolvesse toda a família. Ele embarcou em um antigo sonho do pai, a crianção de peixes.

“Nós trabalhamos com a reprodução da tilápia. Focamos uma boa genética, a América. Nós trabalhamos desde o processo do ovo até o ponto de comercialização do peixe de 1 grama até 10 gramas”, explicou.

Em sete meses, Fábio lucrou o que as lavouras que a família tinha levariam dois anos pra render. Ele compra as matrizes, que produzem ovos durante três anos, e no laboratório cria os alevinos até o tamanho ideal pra venda. E ainda dá um acompanhamento técnico aos criadores.

“O grande desafio hoje é como você produzir com baixo custo. Nós aqui trabalhamos, a grande parte, com a mão de obra familiar. Pai, mãe, inclusive meu irmão já tinha feito o êxodo rural, hoje voltou. Trabalha meu pai, minha mãe, eu, minha prima. E hoje está aí gerando emprego e renda para a família.”

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