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Produtores rurais tentam evitar propagação da traqueomicose nas lavouras do ES

Os produtores de café conilon do Norte do Espírito Santo estão preocupados com o aumento da doença traqueomicose, que tem causado prejuízos às lavouras. O problema, que ataca o tronco de cafeeiros conilon, é causada por fungos, que atingem os vasos da planta.

Em uma lavoura, em Jaguaré, por exemplo, um produtor rural contou que a traqueomicose atingiu cerca de 15% dos 42 hectáres.

“O prejuízo é grande, pois você tem uma diminuição do número de plantas por hectáre e automaticamente tem mais mato. Dessa forma, gasta mais insumos para controlar esses matos e a produtividade cai”, disse o produtor rural Giovanni Sossai.

Constatada no Brasil pela primeira vez em 2012, a doença foi identificada no Espírito Santo em 2014. De acordo com o agronômo e pesquisador José Braz Matiello, a origem dela não é conhecida, mas é provável que seja da África.

Matiello disse, ainda, que ao fazer o corte na planta dá para perceber o dano que foi causado pela doença. “O fungo ataca pelo caule. Ele entope o vaso da planta e não deixa alimentar o galho, que acaba morrendo. Primeiro, o galho e depois acaba matando a planta como um todo”, explicou.

A lavoura de café tem o momento certo de fazer a poda, mas o cuidado pode acabar prejudicando, já que os pesquisadores perceberam que o fungo só age depois da primeira poda. Para evitar o prejuízo, é preciso, antes de podar, desinfetar os equipamentos para o corte da planta.

“Para isso, usamos uma mistura de um fungicida com um desinfetante. No desinfetante, é comum a água de sódio diluída (hipocloreto de sódio) e mais um fungicida, para durar mais o efeito de desinfeção”, ressaltou Matiello.

Genética
Em outra lavoura de café conilon, em Aracruz, são 150 hectáres. Deste total, 30% da plantação foi comprometida pela traqueomicose. No entanto, um detalhe que chamou atenção foi que algumas plantas resistiram ao fungo.

Para Matiello isso só foi possível pela genética da planta, que foi clonada, e se tornou mais resistente à doença.

“É um clone, uma construição genética diferente. Então é uma planta resistente a essa doença. A genética é a solução definitiva para esse problema”, afirmou.

Caso após os cuidados iniciais a doença volte a aparecer, é preciso fazer a erradicação permanente das plantas. Por isso, o produtor rural Edison Schmidt disse que vai trocar os pés doentes por clones mais resistentes.

“O que a gente tem ideia aqui é erradicar essas plantas. Eu até iniciei, mas parei para fazer um levantamento melhor e ver se será mais viável erradicar totalmente ou só as plantas velhas”, concluiu.

Fonte: G1 ES

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